Iguaí: Quando o importante é ser pequeno

Iguaí é um município situado na região sudoeste do Estado da Bahia, a aproximadamente 500 km de Salvador, com a totalidade do seu território dentro dos limites da Mata Atlântica. Sua população é de pouco mais de 29 mil habitantes sendo que metade vive no meio rural e metade no seu núcleo urbano. Por ter uma pequena população urbana, vocação agropecuária e natureza exuberante, propicia ao visitante muita tranquilidade e um modo de viver, característico de cidade do interior, com contato com a natureza e entrelaçado com as atividades do campo. Este é um fator que faz muita diferença e, se bem trabalhado, pode transformar o município numa importante célula de desenvolvimento regional.

As dúvidas que se tem quanto a esta capacidade transformadora credita-se a razões excêntricas ou talvez infundado descrédito no poder empreendedor do homem do interior. Nada que não possa ser mudado com atitudes proativas do executivo municipal.

O NEGÓCIO É SER PEQUENO - Ser pequeno não é ser irrelevante nem tampouco desqualificado e muito menos ineficiente. Em alguns segmentos de negócio ser pequeno, ao contrário, é muito importante. É ser ágil, criativo, eficiente e competente. Com estas habilidades pequenas empresas conseguem chegar aos mais competitivos mercados internacionais, especialmente, quando demonstram as qualidades humanas intrínsecas dos seus produtos.

É claro que a produção em grande escala veio para ficar mas, “é preciso alcançar a pequenez dentro da organização grande”. Isto é, administrá-la com feição humana, para que as pessoas se sintam

realizadas. Lembro aqui da obra do professor inglês E. L. Schumacher, intitulada O Negócio é Ser Pequeno. Um estudo de economia que leva em conta as pessoas, cujo título original é Small is Beautiful. O autor escreveu esta obra em 1973. Um legado que ainda hoje encanta ecologistas e humanistas. Ele defende no seu livro um novo estilo de vida, com novo sistema de produção e novos padrões de consumo. Fala de uma agricultura com métodos de produção que “sejam biologicamente corretos, para se incrementar a fertilidade do solo, e produzir saúde, beleza e permanência”.

Algumas citações extraídas do seu livro: “Estude-se como uma sociedade usa sua terra e pode-se chegar a conclusões bastante fidedignas sobre qual será seu futuro”; “Ainda temos de aprender como viver em paz, não só com os nossos semelhantes mas também com a natureza, e, principalmente, com aqueles Poderes Superiores que fizeram a natureza e nos fizeram a nós mesmos; pois com certeza não surgimos por acidente nem nos fizemos a nós mesmos”.

Na indústria ele sugere uma tecnologia em pequena escala, com uma fisionomia humana: ”Uma tecnologia relativamente não-violenta, com uma fisionomia humana para que as pessoas tenham uma oportunidade de sentir prazer no trabalho que realizam, em vez de trabalharem exclusivamente pelo salário e na esperança, usualmente frustrada, de se divertirem tão só nas horas de lazer”.

A sua obra é um apelo à humanidade para que repense os seus conceitos e, efetivamente, trace novos rumos para sair da rota de colisão que se encontra. Mas, como se sabe, o mundo já está entrando em colapso e, ainda assim, permanece na mesma rota. No caso brasileiro, nas últimas décadas, as cidades foram tragadas por uma avalanche de problemas, decorrentes do crescimento desordenado, por falta de planejamento. (Fonte: José Cândido Oliveira Silva. Economista, especialista em Gestão Agroindustrial, Prof. Universitário e Produtor Rural).